Seus olhos ainda não foram confundidos pelo mundo ao seu redor.Fala comigo tentando me explicar que,de sua casa,consegue ver que já apareceu um caju maduro. O primeiro de uma temporada longa de cajus que irão colorir a árvore e o chão ao seu redor . Cajus que servirão de alimento a pássaros e morcegos que povoam sua cabecinha de criança cheia de histórias contadas, à noite,no jardim de nossa casa.
Suas mãos delicadas ,claras e perfeitas, abrem-se em concha e ele, triunfante ,vem ao meu encontro trazer um caju perfeito que,contado por ele"foi apanhado no pé".
Seus olhos,sem uma cor definida,mesclando o verde com o mel,faz-me lembrar os de sua mãe e de seu tio quando crianças, ainda.Vi naqueles olhos e naquelas mãos toda a inocência e ,ainda , o grande prazer em contemplar a vida como ela é: simples.
Trazer aquele caju ,naquele momento,era a sua grande missão;repartir comigo a expectativa mútua de esperar as frutas de nosso quintal ficarem maduras.Assim aconteceu com as jabuticabas e irá acontecer com as pitangas (ainda pequenas e verdes como ele notou)e com a U V A I A( tantas vogais e apenas uma consoante),tão difícil para ele pronunciar...
Ao tocar o caju senti o perfume que deixou em minhas mãos e veio-me a lembrançade minha infância: o lugar do cajueiro no jardim de minha casa, a luz e o calor do sol sob aquela àrvore grande e repleta de frutos.Lembranças boas e ruins como na vida de todos nós.
Mas, o cheiro do caju nas mãos trouxe-me uma lembrança mais forte;de um pai que passou, da sua forma, o verdadeiro sentido da vida: simples!
Hoje essa criança acorda cada um de nós, que a rodeamos , com sua maneira ingênua mas muito forte, para nos mostrar aquilo que ,realmente ,tem valor na vida.
Para nós que não somos eternos,fica a certeza e a necessidade de continuar a povoar sua cabecinha com histórias fantasiosas de personagens que vivem no quintal e que farão parte ,um dia, das suas doces memórias.
(Este texto foi escrito em setembro de 2007, para João Francisco, meu neto muito amado e querido que faz com que eu olhe com mais atenção às árvores,seus frutos e as bençãos da vida e de Deus)
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Laço de Fita
Enfiar botões de várias cores e tamanhos com uma agulha e uma linha grossa.Não podia ser muito longa ,se fosse era sinal de preguiça."Quem usa linha comprida é por que não quer parar a costura e aí....preguiçosa".
Fatos e falas de uma infância longínqua,em uma sala confusa.Não se sabia se era sala para costurar,para comer,para tomar um simples café.Nas lembranças,resta que era confusa por que confusas eram as conversas,as pessoas ,a minha vida.Era casa de minha avó e eu enfiava botões de várias cores e tamanhos.Essa era a forma que ela ,muito sábia , havia encontrado para aquela menina pequena que agora buscava, naquela avó, a sua segurança.E assim linhas e agulhas foram me acompanhando durante a vida. As primeiras roupinhas de boneca e as verdadeiras para meus filhos vestirem em seu primeiro dia de vida.Deviam ser feitas à mão,pela mãe,usando o tecido de uma camisa do pai.Para que?"Para serem filhos amorosos ."Dizia minha sogra.
"Vá aprender corte e costura."Para que?Para espantar a tristeza que na adolescência se instalara, de repente, em mim.Conselho autoritário de meu pai.Depois vieram as fantasias de minhas filhas,aquelas que o último retoque era dado entre o fim do almoço de domingo e o ínicio da matinê no Clube:sempre faltava alguma coisa para que elas brilhassem mais ainda .A satisfação maior era o primeiro lugar ao término do desfile,quando eu as via assim como o criador vê as suas criaturas.As linhas sempre estiveram perto de mim.Certa vez ,tentando espantar as desordens de sua alma,propuz à minha mãe que colocasse em ordem minha caixa com linhas para bordar. Que ingenuidade a minha !Hoje, vejo-me às voltas com linha e agulha.Desta vez não são coloridas, são apenas brancas.Costuro e dou acabamento a um laço de fita e, enquanto a agulha percorre as fitas,vem a lembrança de uma menina, pequena ainda, com cabelos volumosos e encaracolados que vinha,logo pela manhã, encontrar-me na cozinha calçando saltos altos (que eram meus!).Trazia , naquelas manhãs um olhar sonhador que conserva até hoje.Ela, uma menina sensível, delicada , rica nos sentimentos e muito especial para todos:minha filha!
sábado, 4 de junho de 2011
Novas emoções
Sem saber,sempre acordamos prontos para aquele dia que, apesar de iniciar-se da mesma forma dos outros ,nos reserva emoções desconhecidas e inesperadas. Nestes dias repensamos,no seu decorrer, como seria bom se ele começasse de novo para nos dar a oportunidade de" reemorcionar-se" de novo...como se as emoções fossem pacotinhos bem embrulhados , sempre ao nosso alcance para abrí-los e desfrutá-los novamente quando quiséssemos!Quanta ilusão!Como trazer de volta as palavras que ouvimos de uma só vez através de um telefonema no início da manhã,tornando esse dia inesquecível?A frase, o silêncio provocado pela confusão de pensamentos, os olhos marejados pela notícia,enfim ela:a emoção.Os detalhes do resto da conversa ficaram perdidos , não conseguimos colocar em ordem para que a lembrança seja "organizada" na memória , nas gavetas de nosso pensamento.Mas que importancia tem isso diante da essência do que foi dito.Pensando bem podemos traçar o caminho que foi percorrido e ,talvez compreeder como as lágrimas nesta manhã chegaram aos meus olhos:a frase que visitou meu pensamento, foi levada ao coração e finalmente inundou a minha alma iluminando-a de felicidade . Aquela felicidade que faz com você procure logo alguém com quem dividir,abraçar , contar,rir ,enfim ficar feliz junto.E foi assim que aconteceu .Aí, durante todo esse dia a lembrança da manhã volta , mas cada vez mais serena , mais doce ,quase um veludo.E ao chegar ao final do dia voce repensa;"certo é viver um dia de cada vez "mas, seria muito bom se Deus nos desse a oportunidade de viver certas emoções várias vezes com a mesma intensidade! (registro hoje a notícia da chegada de mais uma criança na vida denossa família já tão feliz:Caio e Karina esperam um filho(a).)
domingo, 29 de maio de 2011
começando a viver...
'_Qual a frase que você me falou ontem sobre ...não me lembro direito... passei a tarde pensando nisso e nãoconsegui.Lembrei-me , alguma coisa relacionado sobre minhas preocupações inúteis.
_Falei apenas que devemos viver"um dia de cada vez",se estamos no verão você se preocupa com o inverno,se está melhor, preocupa-se com recaídas,ou novas crises ...Então o melhor é viver um dia de cada vez!
Seus olhos já quase sem brilho,fixaram os meus e ,como sempre ,não foi preciso falar nada.Desta vez quem tinha a palavra sábia era eu.Depois seu olhar continou vagando no horizonte de mais um das tardes que passávamos juntas .Procurava distraí-la buscando naquele céu , sempre de cores tão variadas ,algo que a tirasse de seu confuso mundo interior.Algumas vezes era a lua que pouco a pouco surgia e ,juntas tentávamos descobrir sua fase,crescente, minguante,mas ela só acertava a cheia.Outras vezes eram bandos de pássaros ,aqueles que voam em forma de V e trocam de lugares quando o primeiro se cansa",um belo exemplo de companheirismo, de equipe" dizia eu, sabendo que ela já estava, de novo, absorta em seus pensamentos.Nos últimos tempos ficava com os olhos fechados,como quem dissesse:-Cansei!E eu driblando minhas emoções e por vez es minhas lágrimas quentes,pensava :"amanhã estará melhore mecanicamente repetia ..um dia de cada vez".Hoje, sem sua presença física confesso que enquanto lhe ensinava esta frase eu a punha em prática ,pois só assimconseguia deixar acesa a esperança e a força para sustentar aquela alma tão marcada pelas dores.Jussara
_Falei apenas que devemos viver"um dia de cada vez",se estamos no verão você se preocupa com o inverno,se está melhor, preocupa-se com recaídas,ou novas crises ...Então o melhor é viver um dia de cada vez!
Seus olhos já quase sem brilho,fixaram os meus e ,como sempre ,não foi preciso falar nada.Desta vez quem tinha a palavra sábia era eu.Depois seu olhar continou vagando no horizonte de mais um das tardes que passávamos juntas .Procurava distraí-la buscando naquele céu , sempre de cores tão variadas ,algo que a tirasse de seu confuso mundo interior.Algumas vezes era a lua que pouco a pouco surgia e ,juntas tentávamos descobrir sua fase,crescente, minguante,mas ela só acertava a cheia.Outras vezes eram bandos de pássaros ,aqueles que voam em forma de V e trocam de lugares quando o primeiro se cansa",um belo exemplo de companheirismo, de equipe" dizia eu, sabendo que ela já estava, de novo, absorta em seus pensamentos.Nos últimos tempos ficava com os olhos fechados,como quem dissesse:-Cansei!E eu driblando minhas emoções e por vez es minhas lágrimas quentes,pensava :"amanhã estará melhore mecanicamente repetia ..um dia de cada vez".Hoje, sem sua presença física confesso que enquanto lhe ensinava esta frase eu a punha em prática ,pois só assimconseguia deixar acesa a esperança e a força para sustentar aquela alma tão marcada pelas dores.Jussara
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